Eu chorei vendo a abertura das Olimpíadas

Eu choro assistindo à abertura das Olimpíadas. Não foi a primeira nem será a última vez que eu vou me emocionar em alguns momentos desse evento.

Sabe, eu tenho muitas (e muitas mesmo) ressalvas sobre o caminho do esporte atualmente. A — ainda — idolatria ao futebol masculino e a forma como os envolvidos nessa modalidade nos decepcionam diariamente.

A maneira como, no Brasil, temos um país que não dá a mínima para qualquer outra modalidade, mesmo tendo esportistas tão importantes e significativos e que devíamos morrer de orgulho.

Não dá pra negar que as grandes instituições envolvidas como COI e etcs estão mergulhados em politicagens, corrupção e uma incessante busca por dinheiro e poder. Desanima qualquer um, sem dúvidas. É claro que a gente não está fechando os olhos para os inúmeros casos de misoginia, homofobia e outros tantos que nos assombram diariamente.

Mas não dá. Ver países que lutam diariamente em guerras civis enviarem seus — poucos — representantes para o maior evento esportivo do mundo. Ver países como Irã e Iraque com mulheres segurando suas bandeiras. Ver uma mulher, negra, filha de imigrante, acendendo a pira olímpica. Cara, não dá mesmo. Eu choro.

Além disso, uma série de histórias de superação. Tantos brasileiros que precisaram se afastar daqueles que amam para ter uma mínima chance de treinar em meio a uma pandemia. Atletas que passam quatros anos se virando como podem para sobreviver pois o patrocínio se limita aos esportes de ponta.

Tantos esportistas que dependem da ajuda financeira de outras pessoas para conseguirem se dedicar ao esporte e que só tem seus nomes lembrados de quatro em quatro anos. Aqueles que nós só reconhecemos durante o mês das Olimpíadas.

Sempre fui fã de esportes. Lembro que domingo de manhã, amava assistir futebol de areia no esporte espetacular. Vôlei então, eu sempre fui fissurada! Acompanhei a quebra de recorde do salto em vara, vi o ouro no remo e fazia planilhas com as modalidades que o Brasil participava.

E hoje não foi diferente. Temos Douglas no vôlei masculino assumidíssimo me dando ainda mais orgulho. Temos meninas de 13 anos virando celebridade por causa do skate — o mesmo que na minha época era coisa de marginal. Temos o futebol feminino. Temos Formiga, guerreira incansável fazendo história. Temos Marta, que mesmo sendo a melhor do mundo — repetidas vezes — segue sem patrocínio.

Temos tanta representatividade, temos tanta luta, temos tanta força que eu não sei como vocês não se emocionam.

E, cá em 2021, estou eu, recuperando o orgulho de usar uma amarelinha.

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@DesireeLourenco e @GrupoHPM

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